CONSELHO CLÍNICO
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Hospitalização privada cresce e aponta ao futuro com mais inovação e cooperação

Mesa 4 | “Futuro da Hospitalização Privada”

Presidente | José Roquette

Moderadores | Leopoldo Matos • Oscar Gaspar

Palestrantes | Oscar Gaspar • José Galamba • Bernardo Neves • António Ferreira

 

A quarta mesa do Fórum Clínico da APHP, dedicada ao tema “Futuro da Hospitalização Privada”, traçou um retrato de forte crescimento do setor, mas também de novos desafios ligados à sustentabilidade, inovação tecnológica e articulação com o sistema público.

Na abertura, Oscar Gaspar, presidente da APHP, destacou a evolução da hospitalização privada em Portugal, que já representa cerca de 30% da prática clínica, com especial relevância nos meios complementares de diagnóstico. Este crescimento, explicou, tem sido impulsionado pela relação próxima com as seguradoras, embora não dependa exclusivamente desse fator. O responsável manifestou ainda preocupação com a diminuição da colaboração entre o setor privado e o Estado, nomeadamente no âmbito do SIGIC, sublinhando que o futuro do setor é promissor, desde que a qualidade dos cuidados se mantenha como prioridade.

José Galamba, presidente da Associação Portuguesa de Seguradores, aprofundou o papel dos seguros de saúde neste crescimento. O especialista apontou uma forte interdependência entre a expansão da hospitalização privada e a atividade seguradora, alertando, contudo, para a possibilidade de o modelo atual estar próximo de um ponto de saturação. Neste contexto, defendeu a necessidade de inovação, quer através do desenvolvimento de novos produtos, quer pela eventual criação de soluções de mutualização, com vista a garantir maior sustentabilidade do sistema.

A inovação tecnológica esteve em destaque na intervenção de Bernardo Neves, da Comissão para a Inteligência Artificial da Ordem dos Médicos, que abordou o impacto crescente da inteligência artificial na prática clínica. A IA, referiu, permitirá acelerar a recolha e análise de dados clínicos, potenciando ganhos de eficiência – especialmente no setor privado. No entanto, alertou para a necessidade de uma avaliação rigorosa desses dados, de forma a evitar interpretações enviesadas. A rapidez na produção científica e no acesso à informação exige, segundo o orador, mecanismos de validação que garantam a fiabilidade do conhecimento gerado.

A encerrar a mesa, António Ferreira, do Centro Hospitalar de São João, apresentou uma visão global sobre o sistema de saúde, defendendo que, sem reformas estruturais, o Serviço Nacional de Saúde enfrenta riscos significativos de sustentabilidade. Entre as soluções possíveis, destacou a importância de reforçar a articulação com o setor privado, tirando partido da sua capacidade instalada e dos seus níveis de qualidade. Esta cooperação, argumentou, poderia contribuir para reduzir custos – nomeadamente com recursos humanos – e aumentar a eficiência na resposta ao doente.

A quarta mesa do Fórum Clínico deixou claro que o futuro da hospitalização privada será marcado pela capacidade de inovar, adaptar modelos de financiamento e reforçar a colaboração com o setor público, num equilíbrio essencial para garantir qualidade e sustentabilidade no sistema de saúde.

 

Síntese das ideias principais

  • Setor privado em crescimento, mas com desafios de sustentabilidade.
  • Modelo de forte interdependência entre seguros e hospitalização privada pode estar próximo de saturação.
  • Redução da colaboração com o Estado (ex.: SIGIC).
  • Futuro positivo, com foco contínuo na qualidade dos cuidados.
  • Risco de insustentabilidade do SNS sem reformas estruturais.
  • Inovação tecnológica e novos modelos de financiamento serão decisivos.
  • Cooperação público-privada é chave para o futuro do sistema de saúde.