CONSELHO CLÍNICO
CONSELHO CLÍNICO

Cuidar melhor, juntos!

O Conselho Clínico da APHP organizou, no dia 17 de outubro, no hotel Monte Real, em Leiria, um evento histórico, o Fórum Clínico – o primeiro, em mais de 50 anos de associativismo da hospitalização privada, que reuniu diretores clínicos e enfermeiros coordenadores dos hospitais privados nacionais, com o intuito de partilhar para evoluir.  Associaram-se também diversos parceiros, dos seguros aos sindicatos, para debater quatro temas estruturantes para o futuro da saúde em Portugal.

Num evento em que cada uma das quatro mesas foi presidida por um elemento do conselho Clínico da APHP, a fim de destacar o tema, e moderada por outros dois elementos deste órgão consultivo, com a missão de apresentar os oradores e dinamizar o debate, coube ao presidente da APHP, Oscar Gaspar, iniciar os trabalhos. «Hoje vamos debater temas que interessam a todos, disseminar conhecimento e agir como enzima da excelência na organização do trabalho», afirmou Oscar Gaspar, agradecendo a presença dos 135 profissionais presentes.

Mesa 1

Para os oradores da Mesa 1, Marisa Silva, Value-based Healthcare e Clinical Coding Manager da CUF, Mafalda Teixeira, da direção de Gestão de Valor em Saúde da Luz Saúde, Maria João Sales Luís, da Multicare e Hans Martens, consultor independente em vários projetos do setor da Saúde, o Value-based Healthcare (VBHC) é um conceito que motiva uma mudança de paradigma: substituir o foco tradicional na quantidade de serviços prestados (consultas, exames, internamentos) por um modelo centrado nos resultados efetivos obtidos para o doente, em relação aos custos associados à obtenção desses resultados. Para uns, o VBHC é apelativo: promove eficiência, qualidade e foco no doente. Para outros, na prática, a sua implementação requer medição rigorosa de resultados clínicos e experiência do doente, algo que muitos sistemas de informação hospitalar ainda não suportam plenamente. A falta de interoperabilidade dos dados, a subjetividade dos indicadores de valor e a ausência de métricas padronizadas por patologia dificultam a operacionalização do conceito. Há ainda que considerar a tensão entre valor e custo, o desafio da equidade (pode marginalizar doentes com patologias complexas, raras ou crónicas, cujo “valor” é mais difícil de demonstrar), bem como a cultura e a resistência organizacional. A verdadeira revolução do VBHC, se conseguir impor-se, será redefinir o real significado de “valor” em saúde.

Mesa 2

A respeito do tema da Mesa 2, “Resiliência Digital em Saúde: liderar com IA e proteger com estratégia”, Miguel Gonçalves, Chief Information Security Officer da CUF Saúde, Bruno Horta Soares, IT Executive Senior Advisor do IDC Portugal, Sofia Couto Rocha, Head of Innovation & Head of Virtual Client da Lusíadas Saúde e Leid Zejnilovic, Professor Assistente da Nova SBE foram unânimes no reconhecimento da selva digital em que se vive também no domínio da saúde. Se, por um lado, a informação e os dados são cada vez mais cruciais para a tomada de decisão médica, por outro, inúmeros problemas se levantam com o recurso à Inteligência Artificial (IA). A maior responsabilização médica, em virtude do maior registo dos dados; as questões éticas e legais de um diagnóstico com recurso a IA; o agravamento da dependência em relação à IA; a alternativa à IA em contexto de novo apagão; a necessidade de planos de contingência; o modelo determinístico das respostas dos computadores, entre outros, foram alguns dos temas que mereceram reflexão.

Mesa 3

João Eurico da Fonseca, diretor do Serviço de Reumatologia do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, Cristina Caroça, diretora do internato médico do Hospital CUF Infante Santo, Alexandre Gonçalinho, diretor do Hospital Privado da Madeira, do grupo HPA Saúde, e Miguel Amado, diretor da EY, debateram, por sua vez, a “Formação, atração e retenção de profissionais de saúde”. O sui generis caso da Madeira, que até leva o hospital a fazer listas de restaurantes e eventos locais para acelerar a integração de profissionais continentais; a importância dos internos na dinâmica e resposta hospitalar; a formação em contexto de hospitalização privada; a adaptação da oferta formativa às necessidades hospitalares; bem como a importância das remunerações e incentivos na fixação de profissionais motivaram um intenso debate, inclusive com intervenções da plateia.  

Mesa 4

Na última mesa do dia, subordinada ao tema “Futuro da Hospitalização Privada”, Oscar Gaspar, presidente da APHP, José Galamba, presidente da direção da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), Bernardo Neves, internista da Luz Saúde, e António Ferreira, do centro Hospitalar de São João, problematizaram as relações e interdependências entre os diferentes intervenientes do setor da saúde. Revelaram-se unânimes os principais constrangimentos do SNS: envelhecimento da população, cronicidade da doença e inovação. Se para uns, manter o status quo é caminhar para o abismo de forma organizada, outros preferem enfatizar formas de superação. A prevenção, como forma de evitar ter pessoas de idade muito avançada com múltiplas doenças; a mudança dos planos de formação de profissionais, mais orientados para o machine learning; a clara separação entre prestação e financiamento; e até reorientar alguns impostos, como o tabaco, para o financiamento da saúde foram algumas das soluções propostas para um efetivo Sistema Português de Saúde. Para um quadro de “ética de cooperação, entre público, privado e social”, como defendeu o Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes. “Um doente em sofrimento não pede debate político e muito menos ideológico sobre quem presta o serviço. A verdadeira contradição é deixar em sofrimento quem precisa de cuidados”, explicou o Bastonário.

 

O professor José Roquette, presidente do Conselho Clínico da APHP, encerrou este primeiro Fórum Clínico. Enfatizou o seu carácter histórico, pelo pioneirismo e pela adesão; a confiança da APHP na capacidade de intervenção do seu Conselho Clínico; bem como o nível estruturante das ideias debatidas, que permitiram “a partilha das melhores práticas, antecipar tendências em saúde e preparar as instituições para